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terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

Lava-louças Electrolux: acabou

Há pouco mais de dois anos, adquiri uma lava louças Electrolux, modelo LE09B.
A máquina é (ou era) excelente.

Há três semanas, infelizmente e sem motivo aparente, a lava louças parou de funcionar adequadamente. 
As hélices não giram mais, impedindo que as louças sejam limpas, talvez um problema na eletrobomba.
Trata-se de um produto caro e que apresentou problemas cedo.
Para realizar um orçamento e descobrir o problema na máquina, entrei em contato com a única Assistência Técnica Autorizada em minha cidade (Santa Rosa - RS), Servitec Santa Rosa.
Neste momento, a falta de profissionalismo e agilidade agravaram o fato eu de estar sem lava louças funcionando, precisando lavar as louças manualmente.
O prazo para o técnico vir em minha casa somente para avaliar a lava louça era de uma semana, tempo exagerado se considerarmos que ainda seria necessário descobrir o problema, fazer orçamento, encomendar uma possível peça, efetuar a substituição. 
No dia e horário marcados não saí de casa, aguardando a visita técnica, marcada para as 14:30h. Por volta de 13h liguei na Assistência Técnica Autorizada para confirmar se estava tudo certo em relação ao agendamento. Fui informada então que o técnico se atrasaria um pouco, mas que eu não precisava me preocupar, pois ele viria, estava tudo confirmado.
A tarde foi passando e eu fiquei trancada em casa à espera. Quando eram quase cinco horas da tarde e como o técnico não havia chegado, entrei em contato novamente com a empresa. Neste momento, disseram-me que o técnico tentaria vir, mas que não sabiam que seria possível. Observem: agendamento realizado com uma semana de antecedência, como eles não poderiam cumprir?
Fui pessoalmente à Assistência Técnica e tive que cancelar o agendamento, já que a empresa não conseguia cumpri-lo.

A Electrolux oferece uma única Assistência Técnica Autorizada em minha cidade e o atendimento e serviços não correspondem ao padrão de qualidade mínimo esperado não apenas de uma empresa como a Electrolux, mas também de qualquer empresa.
A partir de agora, precisarei aprender a consertar eletrodomésticos já que a Electrolux, através de sua rede conveniada, não é capaz de sequer fazer a avaliação de uma lava-louças?
Eu continuo sem lava louças funcionando, lavando louças manualmente, decepcionada com a Electrolux.

Continuo sem lava-louças há três semanas.

Na semana passada, após reclamação no ReclameAqui, a Electrolux tentou entrar em contato via telefone uma vez. Infelizmente, no momento, estava ocupada e não pude atender a ligação. Após, entrei em contato com a empresa via SAC, pediram se eu aceitaria uma nova tentativa de visita do técnico para consertar/verificar a lava-louças. Sendo esta a única opção disponível e apesar de a Autorizada já ter descumprido um agendamento anterior, aceitei a proposta, isso foi na quinta-feira, por volta das 13h30. Não tendo recebido nenhum retorno, segunda-feira novamente contatei a Electrolux, fui informada de que ainda estavam aguardando a resposta da Autorizada.

Cada vez mais desanimada, constato que ter lava-louças foi ao mesmo tempo uma experiência incrível e péssima. Explico: a praticidade, tempo útil, limpeza da lava-louças me fizeram acreditar que a vida das pessoas no Brasil poderia ser melhor, mais eficiente, com eletrodomésticos inteligentes. Por outro lado, a dificuldade em conseguir consertar o eletrodoméstico, a demora em realizar uma simples avaliação, a curta vida útil da lava-louças, o estresse causado por algo que seria simples de resolver, tudo isso me faz perceber que infelizmente ainda vivemos em um país de terceiro mundo, no qual os serviços e produtos não funcionam adequadamente.

Lava-louças foi um sonho que durou pouco. Desculpem o desabafo: é difícil saber que tudo poderia ser diferente, mas não é.

segunda-feira, 8 de agosto de 2016

Moda: consumo consciente

Vamos falar sobre moda e consumo.

Segundo Dario Caldas, no livro "Universo da moda", a palavra que melhor identifica a moda é mudança.

Qual o conceito de moda no nosso post?

Moda pode ser entendida como a maneira que um povo, uma pessoa se vestem. Assim, a moda existiria desde nossos antepassados que usavam peles de animais para proteger o corpo do frio, do ataque de insetos. Podemos, por exemplo, identificar o vestuário dos gregos e dos egípcios da Antiguidade.

Mas, se associarmos moda à mudança, observaremos que seu desenvolvimento está relacionado ao surgimento e ascensão da burguesia.

Antes, apenas quem fazia parte da nobreza e do clero poderia $$$$ realmente ter um costureiro para tecer suas roupas. Os tecidos eram muito caros, todo o trabalho era artesanal. Isso quer dizer que aqueles vestidos suntuosos que vemos nos quadros da Idade Média eram costurados manualmente.

Por conta do público consumidor ser muito pequeno, das matérias-primas serem caríssimas, do tempo para costurar uma roupa ser de semanas ou meses, entre outros motivos, as pessoas apresentavam um visual mais padronizado. Era possível, por exemplo, identificar a classe social de uma pessoa através da roupa que ela vestia. 

Apenas com o surgimento da burguesia, na Baixa Idade Média (séculos XI a XV), a moda (mais semelhante ao conceito que temos hoje) passou a existir. 

As expedições marítimas ao Oriente (especiarias, tecidos), a distribuição de renda entre mais estratos sociais (muitos se tornam artesãos e comerciantes), lentamente foram permitindo que se formassem grupos consumidores de moda e grupos produtores (costureiros, modistas, chapeleiros) de moda que possibilitassem maior variedade de looks.

No século XIX, finalmente, surgem as grandes lojas, os grandes costureiros. Nessa época, o costureiro deixa de ir até a casa do cliente. As modistas, os alfaiates, as chapelarias tornam-se famosos. O cliente deve visitar a loja para comprar/encomendar a roupa. 

Ser visto dentro da chapelaria em voga, além de ostentar o chapéu feito por tal artesão, passa a ser importante. Lucien de Rubempré, personagem do livro "Ilusões perdidas" de Balzac, adora flanar por Paris, observando os dândis e as vitrines. 

A primeira metade do século XX é marcada pelas maisons e a figura do grande costureiro. A alta-costura vive seu auge. Roupas sob-medida, costuradas à mão, com tecidos nobres e acabamento impecável, custando milhares de dólares, são o desejo dos mais abastados.

Holly, com seu elegante vestido preto, colar de pérolas e óculos escuros para tomar café e suspirar diante da vitrine da joalheria Tiffany, no filme "Bonequinha de luxo", representa o que muitas mulheres desejavam. Usar uma joia de uma grande marca ou um vestido de um grande costureiro.

O final do século XX e o início de nosso século são períodos de fragmentação, de diluição mais intensas do que antes. 

Cada vez mais a imagem do estilista vem sendo substituída pela da marca. As redes de fast fashion produzem roupas em grande quantidade para o mundo inteiro. Infelizmente, esse movimento nem sempre é acompanhado de qualidade. 

As pessoas nunca foram tão iguais (nublados se apresentam os conceitos de fronteiras, de identidade),  podemos (brasileiros) usar a mesma jaqueta vendida numa loja na Índia. Paradoxalmente, nunca desejamos ser tão diferentes. Queremos ser vistos como únicos, especiais. 

O consumismo é utilizado numa tentativa de sermos reconhecidos pelo grupo, utilizamos um look padronizado, somos aceitos, a coleção anterior não cabe mais (é cafona), o novo novíssimo é o desejável. 

O consumismo também é usado pelos que desejam se diferenciar, compro peças exclusivas, importo "novidades" antes que desembarquem nas fast fashion. 

Eu, que agora escrevo, procuro o equilíbrio. 

Sim, moda é expressão. Primeiramente, quem se expressa é o estilista, no processo criativo e artístico de traduzir sentimentos, sensações, conceitos em roupas. Num segundo momento, eu expresso o que sinto, o que penso por meio das roupas que são expressão do universo particular do estilista. 

Sim, moda é tatuagem. Cobrimos ou revelamos estrategicamente partes do nosso corpo. Roupa não é apenas proteção, roupa pode ser identidade, sedução, violência. 

A relação que temos com nossas roupas tem a ver com auto-estima, estilo de vida, memórias, desejos.

Roupa custa dinheiro, a saia evasê linda da vitrine pode compor looks bacanérrimos, pode fazer você se sentir linda, ousada, fashionista, mas tudo isso passa por uma transação financeira.

Vamos imaginar que a saia evasê custe R$ 100. A primeira pergunta antes de comprar esta saia deveria ser: eu tenho o dinheiro necessário para comprá-la, caso positivo, estes R$ 100 estavam previstos no orçamento mensal como gasto com vestuário ou vou ter que economizar em outras categorias?

Após, as perguntas, pensando num consumo mais consciente, seriam: preciso realmente desta saia? quantos combinações posso formar com as peças que já tenho no meu guarda-roupa? com qual frequência a saia será utilizada? o caimento ficou bom? o tecido é de qualidade? o acabamento (costuras) é bem feito? o preço é justo? realmente desejo esta saia evasê?

Antes de comprar novas peças, é interessante observar nosso guarda-roupa. Limpar os armários e retirar todas as roupas, calçados e acessórios. Verificar o que não está em bom estado, não serve mais, não se adequa ao nosso estilo atual e enviar as peças para doação, venda, costureira para reparos ou descarte. 

O momento pode ser aproveitado para compor looks com nossas peças. Convide seus amigos/amigas para um chá, drink ou pipoca e faça seu próprio desfile. Se possível, fotografe os looks para que você tenha um álbum de ideias de combinações. 

O exercício de observar nosso guarda-roupa ajuda a consumir menos (descobrimos quantas peças já temos) e melhor (verificamos as peças que fariam diferença). Além disso, nos torna mais criativos (talvez antes você não tenha pensado em combinar aquela blusa com aquele cardigã).

Outro dia, limpei meu guarda-roupa e fiz um levantamento de todas as peças, separei algumas para doação, montei looks e identifiquei quais seriam as aquisições futuras mais acertadas.

Quando tinha guardado 1/3 das minhas roupas, percebi como ficou fácil visualizar looks, menos peças afloram nosso lado criativo.

Percebi que os outros 2/3 não precisariam existir para que eu tivesse um guarda-roupa versátil e que eu gostasse. E olha que não tenho muitas peças, não sou a louca do closet. Compro poucas peças por ano e convivo com elas por mais de uma década (desde os dezesseis anos uso o mesmo número de roupa e calçado).

Meu objetivo tem sido construir meu estilo, consumindo menos e com mais qualidade.

Nosso estilo altera-se ao longo do tempo, conforme nós mudamos (idade, profissão, cidade, trabalho, interesses, objetivos). O trabalho aqui é de auto-conhecimento. 

Consumir com qualidade, para mim está associado a priorizar:
- tecidos produzidos a partir de fibras naturais, como o algodão, o linho, a seda, a roupa precisa abraçar meu corpo com um toque suave, gostoso.
- acabamento bem feito, costuras retas, sem linhas soltas.
- caimento, a peça precisa valorizar meu corpo, transmitir elegância (justo na medida). 
- experiência de compra, valorizar o artesão, entregar meus dinheirinhos para quem produz e não para uma rede ou grande marca.
- quantidade: diminuir o número de peças, exercitar a criatividade. Afinal, quem vai usar tanta roupa que acabará indo para o lixo (montanhas de lixo têxtil)? A ideia é que, para cada peça nova, uma que já faz parte do armário precisa sair (doação, venda, descarte).

Moda é mudança, é expressão, é tatuagem, é abraçar o corpo. Roupas, calçados e acessórios se combinam para formar nosso estilo. 

Podemos brincar, ser hoje mais romântica, amanhã mais ousada. Não cai pedaço "errar" no look. Sair com uma combinação que não ficou bacana não vai te tornar ridícula. Moda tem que ser liberdade.

Moda pode ser também consciência. De modo mais claro: o consumo de moda pode ser aperfeiçoado para priorizar o que consideramos essencial.